Governo Lula proíbe o uso de “todes” e outras formas de linguagem neutra em órgãos públicos


 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.263/2025, que cria a Política Nacional de Linguagem Simples e proíbe o uso de linguagem neutra, incluindo termos como “todes”, “amigues” e pronomes como “elu”, na comunicação oficial de todos os órgãos públicos — da União, Estados, Distrito Federal e municípios. A determinação, aprovada pelo Congresso Nacional, foi publicada no Diário Oficial da União.

A norma exige que a administração pública siga rigorosamente a norma culta da língua portuguesa, de acordo com o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) e o Acordo Ortográfico. O Art. 5º, inciso XI, é claro ao determinar que os órgãos públicos devem “não usar novas formas de flexão de gênero e de número das palavras da língua portuguesa”, o que abrange integralmente a linguagem neutra.

A lei faz parte da Política Nacional de Linguagem Simples, que tem como objetivo aproximar o poder público da população ao garantir que qualquer cidadão consiga “encontrar, compreender e usar” as informações oficiais, reduzindo a necessidade de intermediários e aumentando a transparência.

Regras que agora passam a ser obrigatórias na comunicação pública

Segundo a legislação, os órgãos públicos devem:

  • redigir frases curtas e em ordem direta;

  • desenvolver uma ideia por parágrafo;

  • usar palavras comuns, evitando termos técnicos ou estrangeiros — quando inevitáveis, devem ser explicados;

  • usar o nome completo antes de siglas;

  • organizar informações em listas, esquemas, tabelas ou recursos gráficos, quando necessário;

  • priorizar as informações mais importantes no início do texto;

  • evitar frases intercaladas, redundâncias e palavras imprecisas;

  • escrever preferencialmente na voz ativa;

  • adotar linguagem acessível a pessoas com deficiência;

  • testar as mensagens com o público-alvo.

Esses pontos estão descritos no Art. 5º da lei.

Veto presidencial

Lula vetou apenas o trecho que obrigaria cada órgão público a designar formalmente um servidor responsável por aplicar a linguagem simples. De acordo com o governo, esse dispositivo violaria a Constituição, já que normas sobre a estrutura administrativa devem partir do próprio Executivo.

O que é a linguagem neutra

A linguagem neutra, usada principalmente por parte da comunidade LGBTQIA+, substitui terminações masculinas e femininas por formas consideradas neutras, como:

  • “todes” (em vez de todos/todas);

  • “amigues”;

  • formas como todxs, tod@s;

  • uso do pronome “elu”.

Com a nova lei, todas essas formas ficam proibidas em documentos, sites, formulários, comunicados e qualquer tipo de texto oficial produzido pelo poder público.

Aplicação imediata

A lei entra em vigor na data de sua publicação e determina que cada Poder — Executivo, Legislativo e Judiciário — em cada ente federativo deve criar regras complementares para garantir sua execução.

Com a medida, o governo busca padronizar a comunicação oficial e torná-la mais clara, mantendo-a dentro das normas tradicionais da língua portuguesa e proibindo terminologias consideradas recentes ou não reconhecidas oficialmente, como “todes”.

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