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| Foto: Polícia Federal |
Um vídeo gravado por agentes responsáveis pela fiscalização do monitoramento eletrônico do ex-presidente Jair Bolsonaro revela que ele admitiu ter usado um ferro quente para manipular sua tornozeleira. (Veja o vídeo ao final da reportagem)
Nas imagens, um policial questiona diretamente:
“Você usou alguma coisa para queimar isso aqui? Tinha ferro quente aí.”
Bolsonaro confirma: “Ferro quente.”
Ao ser perguntado sobre qual equipamento utilizou, responde inicialmente: “Ferro de passar.”
Outro agente intervém e afirma: “Não, ferro de soldar, aquele que tem uma ponta.”
Durante a inspeção, os agentes também verificam se houve tentativa de rompimento.
Bolsonaro nega: “Não rompi a pulseira, não. Tranquila, tá?”
Apesar da negativa, um dos policiais registra no vídeo: “Pulseira aparentemente intacta, mas o case violado.”
Em outro momento, quando questionado sobre o horário em que teria iniciado as manipulações, Bolsonaro afirma: “Já final da tarde.”
O vídeo se soma aos elementos que constam no processo analisado pelo Supremo Tribunal Federal, onde a decisão judicial anexada indica a existência de sinais físicos de violação no equipamento. A determinação menciona alterações no invólucro, incompatíveis com o uso normal da tornozeleira, reforçando a suspeita de que houve interferência manual ou térmica. O documento também destaca que a integridade do dispositivo é parte essencial das medidas cautelares impostas ao ex-presidente e que qualquer manipulação pode configurar violação de ordem judicial. Especialistas apontam que, mesmo sem rompimento da pulseira, o fato de o case estar violado é suficiente para caracterizar possível tentativa de burlar o monitoramento.
A Polícia Federal deve realizar nova perícia técnica no equipamento para avaliar se o calor aplicado ou a violação do invólucro afetaram sensores internos ou comprometeram o funcionamento do monitor eletrônico. O vídeo passa a integrar oficialmente o conjunto de provas que podem levar ao agravamento das medidas cautelares. A decisão judicial já demonstra preocupação com a integridade da tornozeleira e abre caminho para novas determinações do STF, caso seja confirmada a manipulação irregular.
