Estudo encomendado pelo Governo Federal aponta que Tarifa Zero é viável em 706 cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes

 


Um estudo encomendado pelo Governo Federal e desenvolvido por pesquisadores da UnB, UFMG e USP reacendeu o debate sobre a implantação da Tarifa Zero no transporte público em todo o país. O levantamento indica que 706 cidades brasileiras — todas com mais de 50 mil habitantes — têm condições de adotar a gratuidade no transporte coletivo por meio de um modelo de financiamento considerado sustentável e sem necessidade de aumento de impostos.

A pesquisa calcula que o custo anual para garantir o transporte gratuito para cerca de 124 milhões de brasileiros seria de R$ 78 bilhões. O valor seria integralmente coberto por uma contribuição fixa de empresas, substituindo gradualmente o atual vale-transporte. Pequenas empresas seriam isentas, enquanto médias e grandes arcariam com a taxa por funcionário.

Transformação na mobilidade urbana

Caso implementada, a proposta pode representar a maior mudança na mobilidade urbana brasileira em décadas. O modelo criaria condições para redução do uso de veículos particulares, diminuição de engarrafamentos, mais circulação de pessoas em áreas comerciais e melhora no acesso a serviços essenciais como saúde, educação e trabalho.

Atualmente, cerca de 154 municípios no Brasil já oferecem algum nível de tarifa zero, mas a maioria é de cidades pequenas. O novo estudo coloca, pela primeira vez, um panorama nacional mostrando que grandes e médias cidades também podem adotar o sistema — desde que com planejamento e reorganização dos contratos de transporte.

Estudo ganha força política

Com as eleições municipais de 2026 no horizonte, prefeitos e pré-candidatos já observam a Tarifa Zero como uma pauta de forte apelo social. Como o modelo não exige repasses adicionais da União, municípios interessados podem aderir sem depender do Congresso ou de mudanças tributárias, fator que amplia o interesse político.

Crescimento do modelo no Brasil

Segundo levantamento da NTU, o número de cidades com tarifa zero triplicou nos últimos cinco anos, impulsionado por iniciativas locais e pela busca de alternativas ao aumento constante das tarifas. Experiências em cidades médias mostram ganhos no comércio, na mobilidade e na frequência de passageiros.

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